Marketing para clínica de estética é fazer a clínica ser encontrada por quem procura um procedimento e confiar nela, dentro da regra de quem assina o atendimento. O que pode aparecer no anúncio muda conforme o profissional: o médico segue a Resolução CFM 2.336/2023, o biomédico segue o Código de Ética do CFBM e o esteticista segue a Lei 13.643/2018. Os canais que mais trazem cliente são o Google, na busca e no Maps, uma página por procedimento e um Instagram que explica antes de vender.

Este guia não substitui a leitura das normas nem a consulta ao conselho da sua categoria.

Quem assina o procedimento define o que você pode anunciar

Não existe uma regra única de publicidade para estética, porque a estética é feita por profissões diferentes, cada uma com a sua norma. Antes de escrever qualquer peça, descubra quem assina o procedimento que você quer divulgar.

Quem executaNorma que valeO que muda no anúncio
MédicoResolução CFM 2.336/2023Pode divulgar preço de consulta, desconto em campanha e antes e depois educativo. Não pode prometer resultado.
Biomédico estetaCódigo de Ética do CFBMAntes e depois com consentimento e legenda obrigatória. Promoção, pacote e oferta são tratados como mercantilização.
Esteticista e técnico em estéticaLei 13.643/2018A lei define o que a profissão faz, e o anúncio não pode anunciar o que ela não faz.

A mesma clínica pode ter os três profissionais. Nesse caso cada peça de divulgação precisa seguir a norma de quem executa aquele procedimento, e o conteúdo mais restritivo costuma dar o piso para o perfil inteiro.

Médico: o que a Resolução CFM 2.336/2023 permite

A resolução está em vigor desde março de 2024 e trata a divulgação do médico e dos estabelecimentos médicos. Ela permite informar o valor de consulta e as formas de pagamento, anunciar desconto em campanha promocional, mostrar o consultório e os equipamentos aprovados pela Anvisa e publicar selfies, vídeos e áudios, desde que sem sensacionalismo. Você lê o texto completo na resolução publicada pelo CFM.

O que continua vedado é o que mais aparece em clínica de estética. A resolução proíbe garantir, prometer ou insinuar bons resultados do tratamento, atribuir capacidade privilegiada a aparelhos, divulgar equipamento sem registro na Anvisa e anunciar técnica de forma a lhe dar capacidade privilegiada, mesmo que seja o único a fazê-la.

Duas exigências valem para toda peça. O anúncio leva o nome do médico, o número do CRM com a palavra “médico” e a especialidade seguida do RQE, quando houver. Em rede social, esses dados ficam na página principal do perfil. Para clínica, o que vai junto é o nome do estabelecimento com o registro no CRM e o nome do diretor técnico médico.

Outro ponto que interessa a quem tem esteticista na equipe: a resolução permite ao médico anunciar os serviços da clínica realizados por profissional de área correlata, desde que ele supervisione e registre a prescrição no prontuário.

Biomédico esteta: o Código de Ética do CFBM

O Código de Ética publicado no site do Conselho Federal de Biomedicina dedica um capítulo à propaganda, e ele é mais duro que o do CFM em preço e promoção.

O que o código pede:

  • nome do biomédico e da pessoa jurídica com os números de inscrição no conselho, habilitações registradas, títulos, endereço e horário;
  • autorização do cliente por termo de consentimento para publicar imagem, selfie ou resultado;
  • em imagem de resultado, a legenda dizendo que a imagem não representa garantia de resultado, porque cada pessoa tem características anatômicas e fisiológicas únicas;
  • em antes e depois, a legenda informando que a divulgação foi autorizada pelo usuário.

O que o código veda: expressões como “o melhor”, “o mais eficiente” ou “resultado garantido”, imagens que induzam a resultado enganoso e vídeos que ensinem a técnica do procedimento a leigos. O parágrafo sobre mercantilização cita a divulgação de pacotes de serviços, promoções e ofertas. O responsável técnico responde também pelo que a empresa divulga.

Ou seja, a campanha de “Black Friday de harmonização” que cabe numa clínica médica pode ser infração numa clínica de biomedicina.

Esteticista: o que a Lei 13.643/2018 estabelece

A Lei 13.643/2018 regulamenta as profissões de esteticista e de técnico em estética. Ela não tem um capítulo de publicidade. O que ela dá ao anúncio é o limite do que a profissão faz.

O técnico em estética executa procedimentos estéticos faciais, corporais e capilares com cosméticos, técnicas e equipamentos registrados na Anvisa. O esteticista e cosmetólogo pode, além disso, assumir a responsabilidade técnica pelo centro de estética. O parágrafo único do artigo 1º diz que a lei não compreende a estética médica, e remete à Lei 12.842/2013, que lista os procedimentos invasivos como atividade privativa do médico.

Na prática, o anúncio de um centro de estética não deve citar procedimento invasivo nem usar produto sem registro. O Google Ads também barra produto não aprovado, como você vê mais adiante. A lei também pede ao esteticista transparência com o cliente sobre técnicas, produtos usados e orçamento, o que combina bem com uma página de procedimento bem explicada.

Marketing para clínica de estética: os canais que trazem cliente

Na hora de divulgar clínica de estética, lembre que quem procura estética pesquisa o procedimento e a cidade, olha as fotos e as avaliações, e só então chama no WhatsApp. Por isso os canais que mais trazem cliente seguem essa ordem.

1. Perfil da Empresa no Google

É o primeiro lugar em que a busca “clínica de estética perto de mim” cai. Categoria principal certa, cada procedimento cadastrado como serviço, horário, fotos reais da sala e da equipe e avaliações respondidas. O passo a passo está em como otimizar o Google Meu Negócio. Sobre foto, vale ler também o que sobe e o que não ajuda em fotos do Google Meu Negócio.

2. Uma página por procedimento

Quem pesquisa “limpeza de pele profunda” ou “preenchimento labial” quer uma página que explique aquele procedimento. Uma página por procedimento, com quem executa, como é a avaliação, o que esperar, quantas sessões costumam ser indicadas e as contraindicações, responde melhor à busca do que uma página única de “serviços”. É também a página de destino do anúncio, o que pesa no índice de qualidade.

Coloque na página os dados que a norma do profissional exige, como o CRM do médico ou a inscrição do biomédico.

3. Instagram que explica

O Instagram é onde a pessoa confere se a clínica é séria. Funciona o conteúdo que responde dúvida real: como é a primeira avaliação, o que acontece depois do procedimento, o que não fazer na semana seguinte. Para organizar o que postar, veja o funil de conteúdo.

4. Google Ads para quem já está procurando

O anúncio pega quem digitou o procedimento e a cidade e quer agendar agora. É o canal mais rápido, e o que mais exige cuidado com o texto. Veja a seção a seguir.

Antes e depois: só se a norma do profissional permitir

O antes e depois é a peça mais procurada e a mais autuada. A regra muda por profissional, e a pergunta certa é qual norma vale para quem fez o procedimento.

  • Médico. A resolução permite demonstrar resultado com finalidade educativa. A imagem vem com texto educativo, indicações, fatores que influenciam o resultado e complicações descritas na literatura científica. O conjunto precisa mostrar evoluções satisfatórias e insatisfatórias, é vedada qualquer edição ou melhoramento da imagem e o paciente não pode ser identificado.
  • Biomédico. O código permite a imagem com termo de consentimento e com as legendas obrigatórias. Veda imagem que induza a resultado enganoso.
  • Esteticista. A lei não traz regra própria. Sem norma específica, o caminho prudente é copiar o padrão mais rigoroso dos conselhos: consentimento por escrito, imagem sem edição, mesma luz e mesmo ângulo, sem rosto identificável e sem promessa na legenda.

Uma foto bonita com a legenda “transformação incrível” não cumpre nenhuma das três.

Anúncio para clínica de estética no Google Ads

O anúncio para clínica de estética funciona quando a campanha responde à busca do cliente: o procedimento, a cidade e a possibilidade de agendar uma avaliação. A gestão de Google Ads para o segmento começa por três decisões.

  1. Palavras-chave de procedimento e cidade. “Depilação a laser em Campinas” é uma busca com intenção. “Estética” sozinha traz curioso e gasta verba.
  2. Texto sem promessa. “Avaliação com a equipe da clínica, atendimento com hora marcada” passa. “Resultado garantido” e “o melhor tratamento da cidade” não passam nem na norma dos conselhos nem na revisão do anúncio.
  3. Página de destino do procedimento. Todo anúncio leva à página daquele procedimento, com o botão de WhatsApp visível.

A política do Google também limita a segmentação em categorias sensíveis. A página sobre segmentação restrita na publicidade personalizada lista Saúde entre as categorias de interesse sensíveis, e quem promove nelas não pode usar públicos selecionados pelo anunciante, como lista de clientes e segmentos dos seus dados. Se a sua campanha cair nessa categoria, o remarketing por lista fica de fora, e o que sobra é a busca bem montada.

Para o médico, o texto do anúncio ainda precisa trazer o CRM e o RQE, e a leitura completa do que o Ads permite está em Google Ads para médicos e clínicas.

Sem rastrear o agendamento, você não sabe qual procedimento e qual palavra trouxeram cliente. O clique no WhatsApp e o formulário precisam virar conversão, como mostra o guia de conversões do Google Ads pelo Tag Manager.

O que costuma dar errado

  • Anunciar procedimento invasivo em perfil de esteticista, ou produto sem registro na Anvisa.
  • Divulgar pacote e promoção em perfil de biomédico sem conferir o código.
  • Pôr “resultado garantido”, “definitivo” ou “o melhor” em qualquer peça.
  • Antes e depois sem consentimento, com filtro ou com o paciente reconhecível.
  • Perfil do Google sem categoria certa e sem resposta às avaliações. Para isso, veja como responder avaliações no Google.
  • Todo anúncio levando para a página inicial.

O marketing para clínica de estética tem vizinhos com regras parecidas, e vale comparar com marketing médico e marketing para dentistas.

Perguntas frequentes

Clínica de estética pode anunciar no Google Ads? Pode, com palavra-chave de procedimento e cidade, texto sem promessa de resultado e dados de registro do profissional quando a norma exigir. A política de saúde do Google não aceita promoção de tratamento experimental nem de produto não aprovado vendido como seguro ou eficaz.

Pode publicar antes e depois no Instagram? Depende de quem fez o procedimento. O médico pode, com finalidade educativa e as regras da Resolução 2.336/2023. O biomédico pode, com consentimento e as legendas do código. Para o esteticista não há regra própria na Lei 13.643, e o prudente é seguir o padrão dos conselhos.

Esteticista pode divulgar preço e promoção? A Lei 13.643 não proíbe e pede transparência sobre técnicas, produtos e orçamento. Já para médico e biomédico a regra muda: o CFM admite desconto em campanha e o CFBM trata promoção e pacote como mercantilização.

Como divulgar clínica de estética sem gastar com anúncio? Comece pelo Perfil da Empresa no Google bem preenchido, uma página por procedimento e um Instagram que responde dúvidas. É o que posiciona a clínica na busca local sem pagar por clique.

Quem responde pelo que a clínica divulga? Na clínica médica, o diretor técnico médico responde pela divulgação do estabelecimento. Na biomedicina, o responsável técnico responde também pelo que a pessoa jurídica anuncia.

Por onde começar

No Raio-X gratuito do Google Ads você vê o que a conta da clínica faz hoje: onde a verba vai, quais buscas geram contato e o que está desperdiçando clique. Se a clínica ainda não anuncia, o marketing para clínica de estética começa pela gestão de tráfego pago dentro da regra do seu profissional.